Até o final de junho, o Grupo de Trabalho que coordena o projeto “Descoberto Coberto” deve apresentar um documento, que pretende ser o marco inicial de diagnóstico da região para análise da ANA, do GDF e dos novos parceiros com indicações sobre a viabilidade e desenvolvimento do Programa Produtor de Água na bacia. O Programa, implantado, segundo os técnicos, seria uma garantia ambiental para a proteção de uma área de vital importância para o abastecimento de Brasília.

O Gerente de Uso Sustentável de Água e Solo da Agência Nacional de Águas, Devanir Garcia dos Santos, em reunião na Adasa, em encontro com os gestores do Descoberto, indicou os passos que devem ser seguidos para a implantação do Programa Produtor de Água em uma nova área. A ideia de implantá-lo no Descoberto seria um estímulo a mais para o produtor rural preservar o meio ambiente e garantir a oferta crescente de água para atender à demanda urbana, salientam os coordenadores do GT.

A bacia do Descoberto é quem oferta água para o reservatório que garante mais de 60% do abastecimento de Brasília. Apesar dos mecanismos legais de proteção, os órgãos responsáveis pela gestão das águas do Sistema Integrado do Rio Descoberto detectaram nos últimos anos um preocupante aumento do grau de degradação da bacia, situação que pode se agravar se não forem tomadas providências.

Degradação

Problemas ambientais como processos erosivos generalizados, impermeabilização do solo nas áreas urbanas, desmatamentos nas áreas de entorno, invasões das margens dos rios para atividades agrícolas, além da expansão desenfreada da cidade de Águas Lindas são problemas que causam preocupação às autoridades responsáveis pela gestão dos recursos hídricos.

Além desses, um novo fantasma assusta as autoridades: cresce exponencialmente a presença de sem terras nas áreas de cabeceiras dos principais córregos formadores da bacia. Técnicos ambientais admitem que a solução fosse o remanejamento desses invasores para área de menor impacto ambiental.

O entorno do Lago do Descoberto é ocupado por chácaras voltadas à produção de hortifrutigranjeiros e por reflorestamento de pinus e eucaliptos. Além disso, as pressões socioambientais, tais como especulação imobiliária, invasões, presença de animais, despejo de lixo, erosões, desmatamentos e destruição das cercas de proteção existentes, geram um impacto direto sobre o Lago.

A recuperação ambiental do lago – de 17 km² e capacidade de armazenar 102,3 hm³ de água – levou o GT a coordenar o plantio de 170 mil árvores nativas do cerrado até o momento, criando uma faixa de proteção de 125 metros numa área de 1,3 mil hectares. O projeto é financiado com recursos oriundos de multas e compensações ambientais e florestais pagas por empreendedores de Brasília.

Diagnóstico

Técnicos dos órgãos envolvidos no processo de recuperação do Descoberto – Adasa (gestora), Seagri, Emater, Caesb, Ibram, ICMBio e Associação Pró Descoberto (formada pelos produtores da região) – redigirão o documento a ser apresentado até o final de junho.

A Adasa, que coordena o Programa Produtor de Água no Pipiripau, que envolve 15 parcerias e resultados de sucesso, é a coordenadora do Programa Descoberto Coberto. A bacia do Pipiripau, segundo João Pedro Mello, possui características muito similares à do Descoberto: tem importância na captação de água para atender às populações de Sobradinho e Planaltina, e é manancial estratégico para os produtores rurais.

Fonte: ASCOM/ADASA

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *